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Luto por suicídio: Raiva

Foto do escritor: Letícia Sayuri Pastore
Letícia Sayuri Pastore
26 de ago. de 2025
2 min de leitura



A raiva é um sentimento típico do luto, e ainda mais latente no luto por suicídio.


Pessoas enlutadas costumam descobrir que têm muitos motivos para sentir raiva: os eventos e ações que levaram ao suicídio, e a si mesmas, por não terem conseguido impedi-lo.


Pode ser que você sinta raiva dela desagregação e dor que entraram em sua vida, pela perda que sentiu, pela culpa e pelo estigma.


Pode até sentir raiva do ente querido; da rejeição por ter sido retirado do relacionamento, por ter de assumir um novo papel, por exemplo; por ser agora a fonte de renda da família ou por cuidar dos filhos. Você pode ficar magoado pelo fardo que recaiu sobre suas costas e pode estar com raiva da dor que o falecido causou a outras pessoas queridas.


Pode também sentir necessidade de ficar quite com seu ente querido. Você sente que essas emoções estão "erradas" quando, na verdade, "deveria estar sentindo remorso".


A raiva pode fazer parte do processo de cura, sendo útil para aliviar o sentimento de culpa e a intensa tristeza. Na verdade, a raiva pode ser uma projeção da nossa própria tristeza. Quando ela é dirigida contra o ente querido que morreu, é um modo bastante normal de admitir o sofrimento que o fato causou à família.


Normalmente, a ela se segue uma reconciliação emocional, que se torna aceitação; a admissão de que a vida pode tornar a ficar em ordem, de que ela não está mais tão abalada; este episódio passou e a vida tornou a assentar.


Como lidar com a raiva?


É tentador usar a raiva de forma negativa. No entanto, a raiva pode ser uma emoção perigosa e precisa ser identificada como tal para que não lhe cause danos.


Quando usada positivamente, pode ser uma fonte valiosa de energia. Controle essa energia; permita que ela ajude você. Use a energia da raiva a seu favor, por exemplo, em atividades físicas ou cuidar do jardim. Use-a para alimentar sua determinação de criar uma nova vida. Use-a para procurar um novo propósito a partir de seu luto, ou para perpetuar a influência exercida pela vida de seu ente querido.



Fonte: Livro "Depois do Suicídio", Dra. Sheila Clark

 
 
 

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