"Nunca subestime a força de um enlutado"
Essa frase é de uma das minhas autoras preferidas na área da Suicidologia, Karina Okajima Fukumitsu. "Nunca subestime a força de um enlutado" pode ser também dita como "não subestime o poder de um homem ferido" - sendo, nesse caso, o homem também podendo ser uma mulher.

Ao presenciar uma tragédia como o suicídio, uma pessoa pode ficar intensamente fragilizada. E esse acontecimento pode naturalmente trazer a atenção das pessoas à sua volta, na ânsia de ver sua pessoa amada recuperada, vivendo a vida bem e feliz. Essa atenção das pessoas próximas pode ser vista como benéfica num primeiro momento, mas também transformar-se em alerta ou até uma preocupação demasiada. Essa preocupação é válida e até saudável num primeiro momento. No entanto, ela pode tornar-se excessiva quando existe a crença de que a pessoa não irá conseguir encontrar força e propósito a partir da sua própria dor, e que, devido à tragédia, ela torna-se "fraca demais" ou "sensível demais" para conseguir submergir das profundezas do seu luto, em seu próprio tempo e nos seus próprios termos.
Apesar disso, quando olhamos para a história da humanidade, grandes figuras que trouxeram grandes transformações, antes de iniciar a sua jornada de missão de vida, passaram por dificuldades até então sem precedentes... figuras como Nelson Mandela, que passou 27 anos na prisão antes de tornar-se presidente da África do Sul, combater o Apartheid e promover a igualdade racial, direitos humanos e a reconciliação nacional em seu país; Viktor Frankl, que sobreviveu aos horrores do Holocausto para posteriormente lançar uma teoria focada em desenvolver e ajudar as pessoas a encontrarem seu sentido de vida; Princesa Diana, cujo casamento foi terrivelmente infeliz na nobreza inglesa, mas que conseguiu se libertar das prisões internas, deixar um legado duradouro de compaixão através do seu trabalho social e modernizar a família real.
Falar de suicídio e luto também é falar sobre renascimento. Uma pessoa em luto tem o potencial de atravessar o túnel da dor e criar uma nova vida a partir do que lhe aconteceu. "Nunca subestime a força de um enlutado" diz sobre resiliência, pulsão de vida, força, vitalidade e propósito. Mesmo diante de tragédias, angústias, luto e dor, é possível encontrar a luz no fim do túnel, emergir do mergulho profundo que é o autoconhecimento, e tornar a tragédia em propósito de vida.




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